domingo, 8 de janeiro de 2012

PostHeaderIcon INSÔNIA E SEUS MALES



De acordo com especialistas, as pessoas privadas de sono demonstram dificuldade diante de tarefas que exijam atenção e concentração e suas habilidades motoras comprometidas.



De fato, o sono representa uma necessidade fisiológica, e não um luxo, para qualquer pessoa que deseja viver com saúde, ser bem-sucedida e longeva. O sono desempenha um papel insubstituível na recuperação e preparo do corpo, do cérebro e da mente para garantir o estado de alerta e a produtividade no dia seguinte.
A máxima que ainda pode imperar nas mentes de algumas pessoas de que dormir cedo e acordar cedo torna o homem mais eficiente, rico, sábio e saudável, está completamente ultrapassada. Hoje, podemos afirmar categoricamente que o correto é dormir e acordar sempre no mesmo horário, desde que a quantidade e, principalmente, a qualidade das horas dormidas satisfaçam realmente a necessidade de sono de cada pessoa. Não importa quando vamos dormir e, sim, se este sono tem uma extensão reparadora.
Quando o sono é interrompido por diversas vezes por algum distúrbio durante a noite, ele não nos satisfaz e essa irregularidade afeta nosso metabolismo e ritmo biológico. Como consequência disso estão a fadiga persistente, sensação de sonolência excessiva e problemas de saúde geral.



Para melhorar a qualidade do sono 
A privação ou o sono fragmentado podem provocar diversos males à saúde, especialmente em homens acima do peso e mulheres após a menopausa De acordo com o último levantamento sobre sono realizado pela National Sleep Foundation (NSF), este ano, devemos fazer do próprio quarto o melhor lugar possível para passarmos a noite. Aspectos como limpeza e conforto são fundamentais para garantir o sono com extensão reparadora. Colchões e travesseiros adequados são importantes para iniciar o sono, assim como a sensação confortável de lençóis e roupas de cama limpos são igualmente recomendáveis.
Temperatura agradável, ambiente livre de ácaros, silencioso e limpo desempenham um papel importante na qualidade do sono, assim como estabelecer um ritual relaxante antes de se deitar, como meditar, praticar ioga, escurecer o ambiente para torná-lo mais aconchegante e facilitar a produção da melatonina.
Para termos bons hábitos de sono devemos deixar as tecnologias distante da cama: TV, celular, videogames e internet devem ser evitados ou desligados pelo menos uma hora antes de dormir. Essas mudanças de atitude fazem grande diferença para quem quer melhorar a qualidade do sono, acordar revigorado e bem disposto no dia seguinte.
Os estados de sono e vigília são regulados pela atividade cerebral e comportamental, e são dependentes do equilíbrio mental e psicológico. Fatores circadianos (que envolvem o período de 24 horas) influenciam no seu ritmo. Os humanos apresentam um conjunto de ritmos circadianos, como ajuste de temperatura corporal, síntese de hormônios e alternância entre sono e vigília. Qualquer modificação no controle rítmico dessas variáveis fisiológicas promove um desajuste, podendo ocasionar efeitos adversos, como condições patológicas e envelhecimento celular. A privação ou o sono fragmentado podem provocar diversos males à saúde, especialmente em homens acima do peso e mulheres após a menopausa. Fatores como obesidade, sedentarismo e bebidas alcoólicas contribuem para minar a qualidade do sono e, consequentemente, de vida.

A privação ou o sono fragmentado podem provocar diversos males à saúde, especialmente em homens acima do peso e mulheres após a menopausa

Qualidade do sono
A obesidade aumenta o risco de a pessoa desenvolver doenças metabólicas, tais como os distúrbios respiratórios do sono
Ficar acordado por mais de 16 horas contínuas provoca uma diminuição drástica da atividade cerebral, levando a uma inevitável sonolência. Quando adultos saudáveis dormem menos que 5 horas por noite, o desempenho cognitivo reduz exponencialmente. Estudos comprovaram que menos de cinco horas de sono ao longo de uma semana já são suficientes para reduzir em até 50% a capacidade de dilatação dos vasos sanguíneos, provocando hipertensão e alteração dos impulsos elétricos que regulam os batimentos cardíacos, dando origem às arritmias. Esses problemas ocorrem devido ao estresse gerado pela quantidade de sono insuficiente que faz aumentar a produção dos hormônios cortisol, adrenalina e noradrenalina, os quais são vasoconstritores. Essas alterações metabólicas que ocorrem devido à falta de sono também podem provocar obesidade, porque diminuem a produção da leptina (hormônio da saciedade) e aumentam a da grelina, que estimula o apetite, sobretudo por alimentos calóricos, como doces e frituras.
A obesidade por si só é um dos maiores problemas de saúde pública da sociedade moderna e, principalmente, para quem sofre com os distúrbios respiratórios do sono. Em obesos com índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 35 kg/m2, a incidência de apneia do sono chega a ser de 12 a 30 vezes maior quando comparada com pacientes com peso normal. Essas condições aumentam significativamente o risco de a pessoa desenvolver doenças metabólicas tais como diabetes tipo 2, dislipidemia, hipertensão, além de facilitar o desenvolvimento de doenças cardiocirculatórias como aterosclerose (depósito de gordura nas artérias), derrames (AVC) e enfarte do miocárdio.

• Sono e depressão •
Dificuldades para dormir ou insônia são associadas a episódios de tensão pontuais, preocupações do dia a dia e ansiedade. Porém, o distúrbio do sono pode estar relacionado a uma manifestação de alteração psicológica, doença psiquiátrica ou neurológica. Pessoas com quadro de depressão, por exemplo, possuem alteração considerável no sono. Mas, ao contrário do que se pensa, a depressão não leva à falta de sono prolongada por toda a noite. O sono geralmente chega em horários regulares e a pessoa tem o despertar precoce, por volta das quatro ou cinco da manhã, com dificuldade em conciliar novamente o sono a partir daí. Pela manhã, levanta fatigada e indisposta, com um mal-estar e falta de motivação que persistem por todo o dia. Pacientes com doença bipolar também relatam insônia quando se encontram com quadro de depressão ou ainda sintomas de hipersonia, com dificuldade de despertar e sonolência excessiva diurna.

Saúde afetada
As importantes fases do sono são: o relaxamento muscular, a liberação de hormônios importantes para o bom desempenho físico e mental e o sono REM, que aumenta as frequências cardíaca e respiratória
Uma ampla revisão de 16 estudos feita por pesquisadores ingleses e italianos revelou que quem dorme habitualmente menos de seis horas por noite tem 12% mais chances de morrer nos próximos 25 anos do que os que dormem entre seis e oito horas por noite. As consequências de várias noites de sono maldormidas também estão associadas a significativas mudanças nas funções neurocognitivas, ou seja, há déficit de consolidação da memória e armazenamento de novas informações, o desempenho em tarefas que requer atenção fica prejudicado sensivelmente, como se o indivíduo sofresse de déficit de atenção. As pessoas privadas de sono demonstram incapacidade de se manter alertas diante de tarefas que exijam atenção e concentração e suas habilidades motoras ficam visivelmente piores. Soma-se a isto o mau humor, a irritabilidade, a impaciência e a falta de disposição. O resultado é fadiga crônica, maior sonolência durante o dia, menor estado de alerta com riscos aumentados para acidentes de trânsito e trabalho.
Segundo estudos, de 20% a 40% dos adultos, aparentemente sadios, têm dificuldade para dormir. Os motivos são os mais variados e vão de pessoas com problemas emocionais, perda de familiares próximos, ameaças profissionais, dificuldade respiratória, melancolia na adolescência, depressão, obesidade, etc. A insônia é mais comum nas mulheres, eleva-se com a idade e com o nível social mais alto.
As pessoas, durante o sono, passam por fases importantes, desde o início da sonolência, iniciando o relaxamento muscular, passando pela liberação de hormônios importantes para a manutenção do bom desempenho físico e mental até chegar ao sono REM, quando o relaxamento muscular atinge o máximo, voltando a aumentar as frequências cardíaca e respiratória.

As consequências de várias noites de sono maldormidas também estão associadas a significativas mudanças nas funções neurocognitivas

Durante o sono, os tecidos do corpo são reparados e o organismo, em certo sentido, rejuvenescido. Os especialistas indicam uma necessidade média de sete a nove horas de sono por dia. Para crianças em idade escolar, 10 a 12 horas diárias. Quando este processo está incompleto, o organismo não estará totalmente pronto para as atividades do dia seguinte. Ao longo do tempo, o cansaço e a fadiga se tornam crônicos, gerando uma série de consequências como veremos no decorrer deste texto.
A falta de um sono reparador pode prejudicar os relacionamentos, já que a irritabilidade se torna descontrolada e a capacidade de lidar com a frustração é diminuída. A sexualidade também é prejudicada
Com a energia escassa, os reflexos são mais lentos e a atenção se torna difusa. A capacidade de concentração também. A irritabilidade e as alterações de humor surgem como sintoma de noites maldormidas. A dificuldade de aprendizado e memória recente e a perda da criatividade são decorrentes. Surge a dificuldade em planejar e executar. A insônia crônica pode levar ao desenvolvimento de transtornos psicológicos e psiquiátricos graves, principalmente em função do excesso de cortisol no organismo (hormônio do estresse), tais como a depressão, transtornos de ansiedade e até mesmo, em alguns casos, sintomas psicóticos. No caminho inverso, não podemos esquecer que a doença mental pode ser a causadora da insônia.
Segundo o neurologista Flávio Aloé, que foi membro importante do Centro de Estudos do Sono do Hospital das Clínicas de São Paulo, a população com o transtorno de insônia tem todos os riscos possíveis e imagináveis mais elevados do que a população geral. “O desfecho de um caso de insônia é a transformação desse transtorno em alguma coisa mais grave”, diz. De acordo com o neurofisiologista, entre 20% e 30% dos casos deságuam na depressão. “A insônia é um precursor”, explica.
Em função da fadiga, a capacidade de julgamento se torna alterada e o desempenho e as relações passam a ser prejudicados. A irritabilidade intensa torna-se descontrolada e a capacidade de lidar com a frustração, diminuída. Os conflitos interpessoais tendem a se acirrar e o isolamento pode ser uma saída para lidar com as dificuldades que surgem, bem como a autopunição, gerando processo depressivo. A sexualidade também é prejudicada neste contexto.
Nas crianças, a problemática se apresenta também de forma grave e dá seus primeiros sinais na escola (Chaudhari, 2011): a criança dorme em sala de aula, tem dificuldades em se concentrar, em aprender, em desenvolver a capacidade cognitiva e no raciocínio lógico (e o próprio QI), excesso de peso, problemas emocionais (depressão e ansiedade) e até mesmo diabete. Um estudo realizado pela Universidade de Michigan apresenta resultados de que distúrbios do sono causam ou contribuem para o TDAH. A dinâmica familiar também se torna bastante conflituosa em função da criança que não dorme, alterando o sono familiar, bem como pela irritabilidade e agitação decorrentes.

Terapia do sono 
Estudos realizados (Morin in www.insomniasymptons.org) identificaram melhores resultados no tratamento da insônia com a associação de medicamentos com a Terapia Cognitiva Comportamental. A identificação dos fatores psicológicos que interferem no sono é fundamental para uma modificação do quadro em questão. Seja na identificação de doença preestabelecida ou de padrões de personalidade ou educacionais que levem à insônia. A literatura aborda a questão importante acerca da necessidade de realizar a psicoeducação ao paciente acerca da importância do sono, bem como as formas de gerenciá-lo. Características de personalidade podem ser fator desencadeante da insônia, como é o caso de pessoas mais exigentes ou preocupadas, ou ainda ansiosas, que apresentam dificuldades em limitar a vida profissional e familiar. Uma pessoa com medo permanece em vigília, como se estivesse sob risco, não conseguindo tranquilizar-se, relaxar e dormir.
Segundo Buela-Casal e Sanchez, 2002 (in Rios) é fundamental que a análise funcional do problema seja realizada pela avaliação do contexto em que o distúrbio ocorre, antecedentes e consequências. A partir disto, o terapeuta comportamental pode propor algumas técnicas para o paciente.
Construção de um diário do sono: realizado pelo paciente, trazendo os eventos que antecedem o sono bem como suas consequências. Relaxamento de Jacobson, pela contração e descontração de grupos musculares do corpo de forma alternada.

Fonte: revista Psique



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